Decisão

E lá estava, aquele objeto metalico reluzente em cima da escrivaninha.
Num primeiro ato, cheguei a pega-la, mas relutei acabei colocando-a de volta
onde estava.Nunca pensei que chegaria a essa situação, a ponto de querer me
matar, infelizmente esse era o único pensamento que eu tinha. 15 anos de
pura alegria, felicidade e de um dia para o outro “Boom” tudo desmorona,
me culpo até hoje pela minha insistência de querer ter ido viajar. Maldita viajem.
Lágrimas, lembranças, dor, era o que eu mais sentia. Foi uma coisa tão rápida
a colição daqueles dois carros, o meu sendo jogado para um lado e o outro em outra direção. Fui acordar só no hospital e com a triste noticia “sua mãe
está em estado muito grave, e seu pai… não conseguiu resistir”. Choque, e a única certeza de que eu não veria mais, aqueles olhos tão acolhedores vindo me dar um beijo de boa noite. Mãe. Aquela que sempre me apoio em tudo, estava agora naquele estado, lutando contra a vida e a morte, e tudo isso por causa de uma teimosia minha.

Segundo ato, pego a arma, encosto em meu rosto – ela é gelada – penso comigo.
Em questão de segundos, relembro tudo que já vivi. Aperto o gatilho. Ela
não dispara, por ironia do destino acabei tirando a dois dias atrás
as balas que havia dentro dela. Quando dei por mim que ainda estava viva,
cai no chão aos prantos, pedindo perdão a mim mesma, a mamãe, a Deus e
principalmente a papai, daquele ato que estava prestes a cometer. Mamãe
que já tinha saido do hospital, estava a observar tudo da porta de meu quarto,
veio em minha direção,com os olhos cheios de lágrimas e me acolhei em seus
braços e susurrou em meu ouvido.

– Eu te perdoou minha filha.
Gabriella Pinheiro

Você

O mar. Cheiro suave e briza leve. Entre um céu azulado e um por-do-sol, lá estava você vindo em minha direção, por um segundo achei que nada daquilo era verdadeiro, mas você me mostrou que era. Momentos. Tudo aquilo que vivemos e tudo aquilo que eu achei que iriamos viver. Pode acreditar, já  imaginei o nosso conto de fadas, mas naquela noite notei que as estrelas não estavam mais brilhando e que o brilho do seus olhos tinha se apagado. Medo. Foi a primeira coisa que tomou conta de mim. Um sentimento tão.. insignificante para aquele momento, que com um simples toque, um simples olhar, um simples beijo que você me deu, aquele sentimento não passou a ser tão insignificante. É eu estava com medo.. com medo de nunca mais ouvir a sua voz, medo de nunca mais olhar nos seus olhos, medo de nunca mais escutar as suas palavras, medo de nunca mais sentir o teu cheiro, medo com que tudo o que passamos ficasse só na memória, mas ficou. Cheiro suave e briza leve. Vieram para me mostrar que foi só mais uma história de verão e que muitas ainda estavam por vir.