Uma breve carta vinda do passado

“Faz tanto tempo que você não recebe uma carta que deve estar achando estranho ter chegado uma assim, do nada. Mas é que, sabe como que é, de vez em quando é bom a gente ler palavras de conforto e relembrar momentos bons da nossa vida.

Essa carta em especial é para te lembrar apenas uma coisa: Nunca desista dos seus sonhos, porque eles são o que te move. E que eu me lembre, você sempre foi muito sonhadora e conseguiu realizar, se não todos, a maioria dos seus desejos.

Você se lembra do primeiro? Aquele, realizado em 2012 que te arrancou muitas lágrimas e mudou completamente a sua vida? Tenho certeza que sim, afinal era tudo o que você mais queria, entrar em uma faculdade pública.

Sei que foi um choque para todos, inclusive para sua mãe que nunca imaginou que o seu bebê fosse sair de casa tão cedo pra estudar fora. Mas, graças a Deus, tudo deu certo e você recebeu todo o apoio do mundo nessa nova empreitada.

E o amor? Há, o amor. Ele também chegou na mesma época, revirando os seus sentimentos e te levando a fazer loucuras. Essas mesmas loucuras que te acompanham até hoje . E falando em hoje, espero que você tenha dado um novo passo com o seu amor. Aquele sonho em conjunto, sabe? Que veio com um pedido quando você menos esperava, e estando aonde você menos esperava, na Colômbia.

Depois disso foram só coisas boas. Ok! Algumas nem tanto, mas sei que todas  serviram de aprendizagem. Se me recordo você já está perto de se formar, certo? Ano que vem você já termina uma etapa de sua vida e começa outra. Com novas conquistas, lugares e pessoas.

Sobre os lugares por onde você já passou, sei que não foram muitos, porém não menos importante. O primeiro deles foi uma nova casa, com novas pessoas, em uma nova cidade e um novo Estado. A partir daí, foram mais duas casas, duas mudanças, novos colegas e que hoje já se tornaram amigos.

Sei que o lugar que mais te transformou não foi aqui, ou ai, ou aonde quer que você esteja, mas sim um novo país. Um país que te fez crescer grandemente, te ensinou diversas coisas, te deu novos amigos e te fez rever vários conceitos.

Um país que foi o primeiro – de muitos – que você vai conhecer. Um país que quebrou todas as barreiras de preconceitos e esteriótipos. Um país que se tornou sua casa durante seis meses. Um país que te mostrou que você não deve sonhar pequeno e, sim, o mais grande possível. Um país chamado Colômbia.

Eu sei, e você também, que pra chegar aonde você chegou muitos caminhos tiveram que ser trilhados e muitas escolhas tiveram que ser feitas, umas boas e outras não. Sobre coisas ruins graças a Deus você não (ainda e espero que não) passou por nenhuma. Claro que tiveram algumas decepções, momentos de nervo e até aqueles momentos que você pensou em desistir. Mas não desistiu! São coisas da vida e que de vez em quando é bom a gente passar por elas.

Não vou me alongar muito (mais do que já falei), porque sei que a sua vida anda muito corrida. Só quero que você saiba que eu sempre estarei com você em todos os momentos e se precisar chorar por uma vitória, chore; se você precisar fazer uma escolha, à faça com o coração; se você tiver que pedir desculpas mesmo que a errada não seja você, peça; mesmo que algo não de certo em um primeiro momento, creia; e o mais importante não deixe de ser você, de acreditar nas suas convicções e nos seus sonhos.

Ass. Eu”

O que você quer ganhar de presente?

Depois da separação dos meus pais o meu aniversário passou a ter um significado diferente para mim. Eu não tinha duas festas, não ganhava mais presentes e me sentia muito triste nessa época. Sim, família e amigos eu me sentia triste nessa data. Se houve uma mudança nesse sentimento, não posso afirmar que sim e nem que não, tudo depende do estado emocional que eu estou, do que anda acontecendo na minha vida, das pessoas que estão ao meu redor e quais são os meus sonhos futuros e do momento.

Sim isso é uma confissão e eu não quero que ninguém sinta pena de mim ou que pense que fez algo errado (isso é pra você pai). Coisas acontecem, aprendemos com elas e vamos levando a vida da melhor forma. Mas além desse desabafo,  hoje, completando 22 anos, percebi que eu não tenho mais o que pedir de presente, porque eu já ganhei – e conquistei – tanta coisa até o momento que quando alguém me faz essa pergunta eu realmente não sei o que responder.

Família maravilhosa, passei em dois técnicos, pude me dedicar aos estudos até os 18 anos, consegui um emprego logo que atingi a maioridade, conheci uma pessoa maravilhosa que foi e é muito importante nas minhas decisões e no que eu venho me tornando, passei em uma faculdade pública, tive o apoio de amigos e familiares, fui morar em outro estado, construí uma família em terras mineiras , estagiei na minha área, fiz um intercâmbio (um dos maiores presentes que eu poderia ganhar), minha mãe me bancou todo esse tempo fora, ganhei uma família colombiana, ganhei irmãs de intercâmbio, voltei para o Brasil e continuo na caminhada de novas conquistas. Tem mais o que pedir?  Não, não tem.

E no meio de tudo isso eu percebo o quanto Deus tem me abençoado, me guiado e me amparado nos momentos de crise. Estou distante da igreja, da palavra, de ter uma relação intima com o Ele, mas o Senhor sabe quais são os desejos do meu coração, o que eu sou grata, o que peço perdão e o quanto eu preciso dele.

E sinceramente hoje, no dia do meu aniversário, o que eu mais quero é dar do que receber. Dar um abraço em alguém que esteja precisando, distribuir sorrisos, afetos e amor. Que eu possa, de alguma forma, fazer a diferença, mesmo que seja miníma, na vida de alguém.

Que eu, você, nós aprendamos a dar muito mais do que receber. Tenho certeza de que assim o mundo vai se tornando bem melhor.

Y, feliz cumpleños para yo!

Pela beleza de observar a vida

2015 foi o ano que mais fiz menos coisas, mesmo ter passado o primeiro semestre na Colômbia, que para muitos já é muita coisa, e que para mim é pouco. Irônico não? Mas para falar a verdade desde que entrei na faculdade, mudei de cidade e comecei a viver uma nova vida, o meu ritmo interno também mudou, começou a ficar mais lento, mais observador.

Por um lado estranhei essa mudança, mas por outro já me acostumei com o fato de viver as coisas ao seu momento. Querendo ou não a Gabriella paulista, atarefada, sempre indo de um lado para o outro e sempre querendo fazer mil coisas ao mesmo tempo, aprendeu que com o tempo temos que começar a priorizar coisas e momentos.

E foi com esse priorizar que passei a observar mais ao meu redor, aproveitar um por-do-sol, uma tarde de bobeira, um simples telefonema, um olhar, um sorriso, as oportunidades e o mais importante, as palavras. Sim, as palavras. Aquelas que as pessoas falam, que os cantores cantam, que namorado escreve e as que os poetas recitam.

E com toda essa mudança interna e externa, eu também te convido a observar mais a vida, as coisas simples, o que te rodeia no dia a dia, os pequenos gestos e principalmente aquelas coisas que fazem transbordar os sorrisos mais sinceros.

Uma hora você tem que voltar

Viajar para fora, viver uma nova vida longe de casa, andar por novos rumos, mudar o seu estilo de vida e tudo o mais que vem acompanhado com as novas mudanças. No começo pode parece difícil, mas depois você acaba se acostumando. É como dizem por ai, o ser humano tem o poder de se adaptar a diversos ambientes e lugares.

Eu, particularmente, só não me acostumo com uma coisa, despedidas. Sim, despedidas. Principalmente se é de um país que te acolheu tão bem, de pessoas que se tornaram a sua segunda família, dos olhares quando te vêem falando em português, das piadas do 7×1 contra o Brasil, das aulas de samba, das vendas de brigadeiros, dos “buenos dias”, “mucho gusto”, “que chevere”, de contar não sei quantas vezes porque escolhi Colômbia para um intercâmbio, de viver essas férias (sim, eu tenho a impressão que estou em férias desde janeiro) e o choque de cultura todos os dias.

Mas no final a gente sempre tem que voltar, eu tenho que voltar. Voltar para realidade? Não digo que para a realidade, porque o que estou vivendo não deixa de ser real. Eu vou voltar para um novo estilo de vida, porque depois dessa experiência as coisas nunca mais serão como antes. Vou voltar para os braços de pessoas queridas, para as noites mal dormidas de tanto estudar, para o cheiro de pão francês de toda manhã e o bolo de chocolate da mãe.

Eu tenho que voltar para concluir uma etapa da minha vida e, claro, já planejar quais rumos ela vai levar. Tenho que voltar para encorajar outras pessoas a não terem medo de partir e viver uma nova vida. Voltar para dizer uns “Eu te amo” pessoalmente. Voltar para continuar aprendo. E,claro, voltar para querer partir de novo.

vai levar. Tenho que voltar para encorajar outras pessoas a não terem medo de partir e viver uma nova vida. Voltar para dizer uns “Eu te amo” pessoalmente. Voltar para continuar aprendo. E voltar para querer partir de novo.

Sonhe, acredite e viva

Depois que passei no intercâmbio, a frequência com que lia – e continuo lendo – crônicas e textos sobre viagens aumentou  consideravelmente. É que nem quando você pinta o cabelo de uma cor diferente e começa ver pelas ruas diversas pessoas com a mesma cor que a sua, ai você pensar: Como que eu não reparei nelas antes? Simples, porque os nossos olhos muitas vezes estão vendados e só enxergamos aquilo que queremos ver.

Com o intercâmbio não é diferente. Depois que você passa da fronteira do seu país, você percebe que não dá para voltar atrás e que a partir daquele momento você tem que estar aberta as novas experiências. É difícil? Claro que é difícil. Passar mais de 10 horas em um aeroporto desconhecido, com pessoas desconhecidas, com uma língua – não tão desconhecida -, mas que você ainda não tem um domínio já é mais do que difícil, é um desafio a ser superado e que, claro, eu consegui superar.

Nos três meses que estou na Colômbia já dei duas entrevistas, uma para um jornal da cidade e outra para a revista da faculdade, e um relato para um blog, sobre a minha nova vivência. Uns podem dizer “nossa que chique”, mas o motivo de eu conceder essas entrevistas é poder passar para as pessoas que vão ler esse texto, que se eu consegui chegar aonde estou é porque elas também conseguem.

Que todos os nossos sonhos podem se tornar realidade e que mais do que fazer um intercâmbio, ou uma viagem internacional, é conhecer uma nova história, fazer parte de uma nova cultura e quebrar preconceitos. Todo tipo de preconceito. Não que eu seja totalmente familiarizada com a distância, mas com o tempo você acostuma e percebe que ao invés de sofrer por saudades, é bem melhor sofrer pelo pouco tempo que tem pra conhecer tudo que você quer conhecer.

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E ela chegou

E ela veio assim, como quem não quer nada, me lembrando do passado e presente, me falando que eu tenho que ser forte e sempre manter o sorriso no rosto. Mas ela também me disse que se o coração apertar e os olhos encherem de lágrima, eu não preciso me preocupar porque isso é normal, são apenas reações de um sentimento (não tão) bom.

Ela também é sorrateira, silenciosa, se faz de amiga e te pega nos piores momentos. Mexe com o seu ser, te faz de boba e te arranca lágrimas. Lágrimas de tristeza, de dor e de saudade. Saudade que demora para chegar, mas que quando chega te pega bem no meio do peito, que deixa as pernas bambas e a voz embargada.

Sim, ela chegou. Não totalmente, mas uma parte sim. E eu sinceramente espero que ela vá embora o mais depressa possível.

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Um país, um amor e a felicidade

Viajar para fora do país, sempre foi seu sonho. Encontrar um amor, também. E a felicidade? Viria de brinde. Três coisas simples, que ao mesmo tempo se tornam as mais difíceis.

Difíceis, porque viajar requer coragem, determinação e desapego. Já o amor pode ser traissoeiro, machucar, te levar do céu ao inferno. E a felicidade, pode ser enganosa, esconder algo ou simplesmente ser só felicidade. E acredite se quiser ela foi premiada com os três itens. Sim, com os três. Sorte? Acredito que não. Sonhos realizados? Sim.

O primeiro a vir bater na sua porta foi o amor. Chegou devagar, como um amigo, mostrando que ainda há muito o que aprender nessa vida, e que o segredo é fazer aquilo que você gosta ou lado das pessoas que você gosta. Um olhar aqui, toque acolá, e um beijo inesperado em uma bela tarde. O brilho nos olhos, coração palpitando e a certeza de que era ele.

De mãos dadas com o amor veio a felicidade. Transbordando a sua beleza, e mostrando que veio para ficar.

Já conhecer um novo país demorou um pouco. Pensando bem, nem tanto assim, aos 21 anos ela já estava tocando os pés em novos territórios. Primeiro destino? Colômbia. E novamente a felicidadade estava ali, ao lado dela sussurrando em seu ouvido que essa viagem é a primeira de muitas.

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